domingo, 10 de março de 2013

GARARU / SE - 136 anos


EMANCIPAÇÃO POLITICA DE GARARU – SE
 Até então, comemora-se a emancipação política de Gararu no dia em que a divisão da freguesia do seu padroeiro, Bom Jesus dos Aflitos, foi estabelecida com a Portaria Nº. 1.038, datada de 28 de março de 1876, in verbis

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho na foz da Logoa Escurial, rumo direito ao Atalho, desde a lagoa da Vaca, comprehendendo esta; d’ahi à travessia, em casa de Antonio Pernambuco, ficando esta para a nova freguezia; e seguindo em direitura à cabeceira do riacho da Pedra, seguirá por elle até o riacho Gararu, por este abaixo à foz do Riacho Sovela, até as suas cabeceiras; d’ahi rumo direito às cabeceiras da Gruta, onde se acha collocado o tanque da fazenda Riacho Grande; e d’ahi, respeitando as divisões de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do Bonito, para a fazenda Quixaba: por ella seguirá a fazenda Lagoa, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio Sergipe, por este acima às suas cabeceiras fronteiras às fazendas Contenda e Monte-Santo, compreendidas estas; d’ahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até altura das cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a altura das cabeceiras do riacho Porteiras, e por elle abaixo irá à margem do rio S. Francisco, a encontrar o ponto d’onde partiu.
(Res. 1.038/76, Art. 1º)

Para entender melhor, lembramos que em 10 de abril de 1875 a capela do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, do Povoado Curral de Pedras, foi elevada à categoria de matriz através da Resolução Nº. 1.003. Essa mesma portaria também criou a sua freguesia, ou seja, os limites da paróquia. Logo, essa é a data da emancipação da referida Paróquia, que pertencia à Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Ilha do Ouro, comunidade que hoje integra o município de Porto da Folha e que, na época, era a sede daquele município.
De acordo com o IBGE (c. site), o distrito de Gararu (então Curral de Pedras) foi criado pela Resolução Provincial Nº. 1.003, de 16 de abril de 1875. Para essa informação ainda não encontramos fundamentação literária, visto que essa Resolução não foi encontrada. Por outro lado, podemos afirmar que o povoado Curral de Pedras foi elevado à categoria de vila e teve os seus limites marcados com a Resolução Nº. 1.047, de 15 de março de 1877, posto que conferimos essa literatura na Coleção das Leis e Resoluções promulgadas pela Assembleia Legislativa de Sergipe, na Biblioteca Estadual Epifânio Dórea, em Aracaju (SE). Constatamos que com essa Resolução também ficou criado o município de Gararu, sendo este desmembrado do território de Ilha do Ouro. De acordo com o parágrafo único do artigo primeiro da referida Resolução “os limites do município serão os mesmos da freguesia do Senhor dos Afflitos do Curral de Pedras”.
Por isso, defendemos que a emancipação política de Nossa Terra deve ser comemorada no dia 15 de março. E que Gararu completa 136 anos de independência administrativa em 2013.

Djenal Vieira

segunda-feira, 12 de março de 2012

HISTÓRIA DE GARARU

Há mais de cem anos a cidade de Gararu era conhecida por Curral de Pedras, nome dado graças à grande quantidade de cercas construídas com pedras colocadas umas sobre as outras, seguramente arrumadas formando currais que eram utilizados pelos fazendeiros locais para prender seus rebanhos.

O povoamento dessa localidade teve início no século XVII. Há duas versões a cerca do início da povoação de Gararu: a primeira, contada inclusive por Francisco S. de Carvalho Júnior, no livro “História dos Limites de Sergipe e Bahia”, no qual afirma que Tomé da Rocha Malheiros foi um dos primeiros proprietários de terras da região, obtendo uma sesmaria de dez léguas, no início do século XVII. Essa sesmaria iniciava na Serra da Tabanga e seguia o Rio São Francisco na direção oeste. A segunda interpretação menciona os colonos portugueses como sendo os primeiros habitantes dessas terras, que fugindo do domínio holandês em Sergipe, vieram refugiar-se na Serra da Tabanga, onde deram início ao povoamento da região, em março de 1637.

Mais tarde, com a expulsão dos holandeses os portugueses abandonaram as terras que voltaram a ser ocupadas por índios. Uma tribo chefiada pelo cacique Gararu fixou-se no local onde há confluência do riacho Gararu com o Rio São Francisco. Esses índios foram catequizados pelos Padres Jesuítas, possivelmente da missão de São Pedro (fundada no século XVIII). Mais tarde, medidas tomadas pelo Marquês de Pombal motivaram a expulsão dos jesuítas, tendo como conseqüência o abandono das terras pelos indígenas.

Em seguida a região foi ocupada por sitiantes do território de Porto da Folha. Estes construíram aqui uma capela em louvor a “Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos”. A partir daí a povoação tornou-se fixa, passando a ser denominada de Curral de Pedras.

Em 10 de abril de 1875 a capela do Senhor Bom Jesus dos Aflitos do Povoado Curral de Pedras foi elevada à categoria de matriz através da Resolução Nº. 1.003, que também criou a freguesia desta, desmembrando-a da Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Ilha do Ouro, comunidade que integra o município de Porto da Folha. Com essa Resolução a divisão da nova freguesia ficou da seguinte forma:

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho – Aningas de Baixo – rumo direito do – Atalho -, deste à Lagôa da Vaca, deste à travessa em casa de Antonio Pernambuco, e seguindo em direitura à cabeceira da Pedra, seguirá, por elle até o riacho – Gararu -, por elle acima à foz do riacho – Sovela -, deste às suas cabeceiras, dahi rumo direito às cabeceiras da – Gruta -, onde se acha collocado o tanque da fasenda – Riacho Grande -, e respeitando sempre as divisões da parechia de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do – Bonito – para a fasenda – Guixaba -, por ella seguirá para a fasenda – Lagoa -, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio “Sergipe”, por elle acima às suas cabeceiras frontais às fasendas “Contenda” e “Monte-Santo”, dahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a passagem da fasenda “Monte-Santo”, no tanque da mesma fasenda rumo direito à fasenda “Capivara” na margem esquerda do riacho do mesmo nome, e entrando nelle descerá até a altura das cabeceiras do riacho “Porteiras”, e por elle abaixo encontrará o ponto donde partio a presente divisão. (Res. 1.003/75, Art. 2º).

A divisão da freguesia de Curral de Pedras só foi estabelecida um ano depois com a Portaria Nº. 1.038, datada de 28 de março de 1876:

Principiará na margem do rio S. Francisco no riacho na foz da Logoa Escurial, rumo direito ao Atalho, desde a lagoa da Vaca, comprehendendo esta; d’ahi à travessia, em casa de Antonio Pernambuco, ficando esta para a nova freguezia; e seguindo em direitura à cabeceira do riacho da Pedra, seguirá por elle até o riacho Gararu, por este abaixo à foz do Riacho Sovela, até as suas cabeceiras; d’ahi rumo direito às cabeceiras da Gruta, onde se acha collocado o tanque da fazenda Riacho Grande; e d’ahi, respeitando as divisões de Sant’Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do Bonito, para a fazenda Quixaba: por ella seguirá a fazenda Lagoa, e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio Sergipe, por este acima às suas cabeceiras fronteiras às fazendas Contenda e Monte-Santo, compreendidas estas; d’ahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até altura das cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a altura das cabeceiras do riacho Porteiras, e por elle abaixo irá à margem do rio S. Francisco, a encontrar o ponto d’onde partiu. (Res. 1.038/76, Art. 1º).

Formação Administrativa

De acordo com o IBGE, o distrito de Gararu (então Curral de Pedras) foi criado pela Resolução Provincial Nº. 1.003, de 16 de abril de 1875.

O Povoado Curral de Pedras foi elevado à categoria de vila e teve os seus limites marcados com a Resolução Nº. 1.047, de 15 de março de 1877. Com essa Resolução também ficou criado o município de Gararu, desmembrado do território de Ilha do Ouro, mais tarde Porto da Folha. De acordo com o parágrafo único do artigo primeiro da referida Resolução “os limites do município serão os mesmos da freguesia do Senhor dos Afflitos do Curral de Pedras”.

A Mudança do Nome

Com relação à mudança do nome da Vila, consta na Coleção de Leis e Resoluções promulgadas pela Assembléia Legislativa em 1888, a denominação de “Villa do Gararu” nos seguintes termos: “Fica d’ora em diante com a denominação de Vila do Gararú a Curral de Pedras nesta província.” (Res. Nº. 1.327 de 18/04/1888, art.1º). Segundo as pessoas mais velhas da cidade, bem como alguns poucos escritos, a mudança do nome da Vila Curral de Pedras foi motivada pelo desejo de fazer uma homenagem ao cacique da tribo que habitou essa localidade no passado, um bravo guerreiro defensor do seu povo. Há fontes bibliográficas como a Revista Sergipe Panorâmico (2001), em que consta que a modificação do nome da Vila ocorreu com a expedição da Portaria Nº. 1.003, de 28 de março de 1876 (essa portaria não foi encontrada na Coleção de Leis e Resoluções promulgadas pela Assembléia Legislativa nos referidos anos).

Por outro lado, apurou-se a Portaria Nº. 1.049, de 13 de abril de 1877, que cria a Comarca de Gararu com a seguinte redação: “Art. 1º. Fica creada a comarca de Gararu que se comporá do termo da Ilha do Ouro e do município do Curral de Pedras, desmembrada da comarca de Própria”. A leitura dessa Resolução permite concluir que esta Comarca foi criada já com o nome do cacique Gararu, mas o Município ainda era denominado Curral de Pedras.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Gararu News

"Por amor a São Francisco. Quem ama cuida." Eu comungo com esta ideia... e você? Vista também essa 'camisa'.

Caros leitores,

Em breve estaremos de volta com novas postagens, divulgando informações educativas de diversas áreas de conhecimento com o objetivo de levar você a ficar informado e construir conceitos bem estruturados sobre educação, cidadania, meio ambiente e muito mais.

Aguardem e confiram.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aspectos Culturais

Hino do Município

O Hino do Município e a sua música são de autoria da professora Maria Damiana Silva Almeida, datados do dia 19 de abril de 1970.

Gararu, terra adorada

Com seu povo varonil

Tu és pequeno e altaneiro

Pedacinho do Brasil.

Nos recorda vultos ilustres

Arroz, milho e algodão

De tudo és produtor.

Ao contemplar tuas paisagens

Meu coração bate jubiloso

És pequenino na extensão de suas terras

És grande no valor de seu povo.

O Brasão de Armas e a Bandeira do Município foram adotados em 1984, através do Projeto de Lei Municipal de nº. 273/84, de 6 de novembro daquele ano. O Brasão é constituído do escudo português, sendo dividido ao meio por linhas horizontais onduladas azuis que representam as águas do Rio São Francisco; Há um peixe dourado na parte superior, em posição de mergulho, simbolizando a produtividade animal da região; no campo inferior há um mandacaru na cor prata, simbolizando a prosperidade primitiva e um meio de subsistência nos períodos de seca; do lado direito uma haste de algodão florido e à esquerda, um cacho de arroz maduro ostentam os principais produtos da região na época; na sua base uma faixa prateado com a seguinte frase: “Gararu – 28 de março de 1976 – Sergipe”; e em cima do conjunto um mural de cinco torres de prata simbolizando “as cidades”. Em qualquer reprodução o Brasão de Gararu deverá ter sete (07) módulos de largura por oito (08) de altura, tomados pelo escudo. Ele é utilizado para timbrar os documentos oficiais do Município.

A Bandeira de Gararu é formada de um retângulo verde e outro amarelo, em diagonal, de tamanho igual, com o Brasão de Armas no centro. O verde simboliza a honra, a civilidade, a alegria, a prosperidade, a esperança, lembrando os campos verdejantes que fazem esperar por uma boa colheita. O amarelo representa a força, a perseverança, a natureza morta, a riqueza mineral do Município. O branco é a paz, a ordem, a tranqüilidade. E o azul, a pureza de sentimentos, a elevação do homem para Deus, bem como representa as águas do Rio.



Festas Populares

  • Festa do Padroeiro – 3ª semana de janeiro.
  • Festa do Cruzeiro – 10 de maio (há mais de cem anos).
  • Festa de São Pedro – em julho (data móvel).

Danças folclóricas

  • Pastoril – apresentado principalmente no Natal, hoje é desenvolvido eventualmente por iniciativa das escolas em ocasião diferentes da primeira, correndo risco de desaparecer da cultura local.
  • Samba de Côco – dança praticada pelos mais velhos, e por isso, vem desaparecendo do cenário.
  • Quadrilha - Embora não seja uma dança típica do município, o forró é a que mais se destaca. Na quadrilha junina o forró se destaca na evolução dos movimentos coreográficos da dança.

Manifestações Culturais

  • Artesanato – bordados (crochê, ponto cheio, ponto de cruz, rendendê, tricô), redes de pesca, covos para capturar crustáceos, miniaturas de canoas, colher de pau.
  • Corrida de Barcos – competição de barcos a vela, movidos pelo vento, desenvolvida na cidade há mais de vinte anos e em alguns povoados.
  • Apresentações de Quadrilhas – manifestações culturais presentes até hoje.
  • Encontro Cultural – realizado na última semana de abril, teve início em 2001 por iniciativa da Associação de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (ADLIS) com apoio da Prefeitura Municipal através da Secretaria de Ação Social, em parceria com o SEBRE, sendo patrocinado por ONG’s. seu objetivo principal é promover o intercambio cultural entre os diversos municípios participantes, divulgando o potencial gararuense.

Culinária

De modo geral, a cultura do município de Gararu não apresenta características tipicamente locais, ou seja, ela está inserida num contexto regional de modo a apresentar elementos culturais comuns, diferenciando apenas em suas características específicas. Na culinária os pratos de maior destaque são:

Buchada

Moqueca de peixe

Moqueca de camarão

Arroz-doce

Arroz-de-leite

Camarão torrado

Pitu torrado

Peixe com côco

Peixe frito

Ensopado de camarão

Galinha de capoeira

Requeijão

Manteiga natural

Pirão de peixe

Mungunzá

Nos povoados também se destacam o cuscuz e o bolo de milho ralado, o arroz-de-feijão, o beiju e a tapioca feitos nas casas farinha, o pirão de capão, o doce de leite, o queijo coalho.


Turismo

A localização do Município às margens do Rio São Francisco é um fator muito importante para o desenvolvimento do turismo. A cidade tem duas orlas que valorizam a sua paisagem vista do Rio: uma a leste, com o complexo turístico construído em 2001 e outra a oeste com orla da Avenida Presidente Vargas (saída da cidade para Porto da Folha). As praias fluviais, formadas por areias douradas que se acumulam às margens do Rio, ou no seu leito, são propícias para o lazer e o esporte dos turistas, onde estes podem tomar banho nas águas límpidas, de tom esverdeado, e passear de barco ou canoa, pois o rio é navegável e o ancoramento das embarcações é feito com muita facilidade. As praias mais atrativas são as praias dos Povoados Lagoa Primeira, Oiteiro, Cabaceiro e Genipatuba.

O Santo Cruzeiro fica no ponto mais alto da cidade onde há mais de cem anos foi cravada uma cruz de madeira, símbolo da fé católica, considerada milagrosa pelos antepassados que assim iniciaram a mais antiga manifestação cultural da cidade: a festa do Santo Cruzeiro, realizada a cada dia 10 de maio com celebrações Eucarísticas. Em 1989 foi construída uma praça de 700 metros quadrados e uma capela na base do Cruzeiro, onde as pessoas “pagam promessas” depositando seus ex-votos.

Dentre as potencialidades turísticas ainda se destacam o Buraco de Maria Pereira, a Trilha do Diogo, Serra da Melancia, a Serra da Tabanga.

O Buraco de Maria Pereira consiste numa abertura feita pela natureza formando dois paredões de rochas coloridas. Segundo a história popular, aí morou D. Maria Pereira, sobre quem pouco se sabe até hoje. O percurso para se chegar lá é feito pelas águas do São Francisco. Durante a viagem pode-se apreciar uma belíssima paisagem formada por um relevo de ondulações cobertas por vegetais da caatinga, aparecendo morros com formações de rochas diversas, pequenas planícies e combros cobertos de gramíneas.

A Serra da Melancia apresenta uma altitude de 310 metros. No seu topo há uma capela onde é celebrada uma Missa na Sexta-feira da Paixão.

A Trilha do Diogo começa nas proximidades do Povoado João Pereira com uma descida de 500 metros, atravessando a caatinga íngreme até um morro que mede cerca de 100 metros de altura. Nesse morro existem pinturas rupestres gravadas nas rochas. Além das pinturas, também foram encontrados no subsolo das imediações ossos de animais que viveram na região há muitos anos. Esses se encontram na Universidade Federal de Sergipe em análise.

A Igreja Matriz, que tem o Senhor Bom Jesus dos Aflitos como padroeiro, situada na Praça Barão do Rio Branco, no centro da Cidade, é um dos pontos turísticos mais importantes do ponto de vista histórico. Não se sabe com precisão qual foi a data de sua construção, mas na sua fachada consta o ano 1910, data da construção da torre. No interior do templo pode-se observar as características do estilo Barroco. O coro tem piso e parapeito em madeira. O altar é muito ornamentado e abriga as imagens em madeira do Bom Jesus dos Aflitos, de Nossa Senhora da Conceição e de São José. Nas laterais há santuários com muitas imagens e na sacristia há uma antiga pia batismal.

Aspectos Geográficos

O município de Gararu é localizado no Alto Sertão Sergipano, no noroeste do Estado, a 161/2 km da capital, Aracaju, ocupando uma área de aproximadamente 600 km². Limita-se ao norte com o estado de Alagoas, sendo separado pelo Rio São Francisco (também conhecido como o Rio da Unidade Nacional); ao sul com o município de Graccho Cardoso; ao leste com o município de Nossa Senhora de Lourdes e Itabí; e a oeste com o município de Porto da Folha e Nossa Senhora da Glória. O acesso à cidade de Gararu pode se dá pela rodovia federal BR 101, passando por Própria e depois pela SE 202, ou pelo Sertão, passando por Porto da Folha, tomando a rodovia estadual SE 200.

População

A população gararuense, de acordo com o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 10.462 habitantes em 1996, sendo que a população rural correspondia a 8.093 habitantes, enquanto que a urbana era apenas 2.379, totalizando 5.301 homens e 5.161 mulheres. Os resultados parciais do último censo, realizado no ano 2.000, mostram que houve um pequeno crescimento, chegando a um total de 12.027 habitantes.

Clima

O clima do Município é quente semi-árido, com longo período seco (ocorrendo algumas trovoadas no verão) e um pequeno período chuvoso entre os meses de abril e agosto com chuvas irregulares e mal distribuídas (400mm a 700mm anuais). Durante o dia as temperaturas chegam a alcançar até 40º C, mas à noite são mais amenas devido a distancia do mar e a altitude. A deficiência de água no solo gera dificuldades para a população no desenvolvimento da agricultura e da pecuária.

Gararu está inserido no Polígono das Secas, área da Região Nordeste que sofre as conseqüências da falta de políticas permanentes de convivência com os fenômenos naturais típicos da região.

Vegetação

A vegetação que cobre as terras gararuenses é a caatinga, onde se destacam a macambira, o arranhento, os cactos como o mandacaru, facheiro, chifre de bode, alastrado, cabeça de frade, a catingueira, a juremeira, o angico, a aroeira, o pau-darco, o marmeleiro. Em algumas áreas também aparecem gramíneas e capoeiras.

A vegetação do Município apresenta três fazes, em relação à distancia do Rio: 1) Às margens do Rio São Francisco predominam árvores e arbustos; 2) Na faixa intermediária predomina a caatinga pouco densa som seus cactos, gravatás, macambira; 3)As terras mais distante do Rio, estão inserida no semi-árido propriamente dito, onde a caatinga apresenta-se densa no inverno e rala no verão.

Relevo

O relevo do Município apresenta ondulações e montanhas, entre as quais se destacam a Serra da Melancia, a Serra da Tabanga e a Serra das Queimadas. A sede está localizada na área mais baixa do território, onde se estima que haja uma altitude de 20 metros.

O solo é predominantemente arenoso, o qual é precariamente aproveitado para fazer pastagens e desenvolver a agricultura de subsistência. Segundo consta no Laboratório Organizacional de Terreno de Gararu, elaborado pelo Ministério da Integração Nacional, através da SUDENE e do PRONAGER (Programa Nacional de Geração de Emprego e Renda em Áreas de Pobreza), os solos do Município classificam-se nos seguintes tipos: 1) Brunos ou Cálcicos – solos argilosos de pouca profundidade; 2) Aluviais – solos profundos da faixa úmida costeira que abrange as várzeas; 3) Litólicos – solos muito rasos que ficam sobre as rochas, com pouco potencial agrícola devido à limitação de água, à pedregosidade, à rochosidade e à pouca profundidade; 4) Regossolos – solos arenosos de baixa fertilidade, moderadamente profundos, situados logo acima das rochas; 5) Gley Úmidos – solos hidromórficos, de terrenos baixos, com grande influencia dos lençóis freáticos durante um longo período, apresentando textura variável de freqüência argilosa (PRONAGER, 2001).

Hidrografia

O município é banhado pela Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Existem, também, os riachos que deságuam no São Francisco como o Riacho Gararu, Riacho Mandacaru, Riacho Melancia e Riacho dos Patos.

Ao longo das margens do Rio destacam-se as lagoas, sendo a Lagoa de Gararu a maior delas, medindo 24 (vinte e quatro) mil metros quadrados, onde era cultivado o arroz e a piscicultura. Com a construção da última barragem no São Francisco para o aproveitamento da força das águas na produção de energia, em Xingó, o nível das águas baixou muito, o que impossibilitou a enchente das lagoas. Isso contribuiu para a extinção do cultivo do arroz no Município.

Economia

Grande parte da população Gararuense tem como fonte de renda os serviços públicos municipais e estaduais.

A pesca é uma das principais atividades econômicas extrativista da região. Outra fonte de renda é a extração de pedras em forma de brita e paralelepípedos utilizadas na construção.

No setor primário apresenta-se a agricultura com o cultivo de milho e feijão. O arroz e o algodão, elementos presentes no Brasão do Município, foram bastante cultivados até vinte anos atrás, mas nos dias atuais essas culturas estão praticamente extintas. No caso do arroz sua extinção está relacionada à escassez das enchentes nas lagoas na época do plantio. Já o cultivo de algodão foi interrompido por causa da “praga de Bicudos”. O controle dessa praga a base de pesticidas seria inviável, devido ao alto custo financeiro.

A pecuária é bastante desenvolvida na região, destacando-se a criação de gado bovino de corte e de leite, onde existem quatro fábricas de laticínio, o que proporciona a criação de suínos para o aproveitamento do soro resultado do beneficiamento do leite. Muitos fazendeiros ainda vendem sua produção de leite para outros municípios.

A apicultura vem se desenvolvendo aos poucos como atividade econômica, fornecendo mel e cera. O mel também é um produto resultado da atividade extrativista.

O artesanato é outra atividade bastante presente no Município. Destacam-se os bordados (crochê, ponto de cruz, ponto cheio, rendendê, renda de bilro), os licores, a produção de instrumentos de trabalho como as redes de pesca, os covos (para capturar camarão e pitu), as miniaturas de canoas, colheres-de-pau, etc.

O comercio de Gararu é do tipo varejista e apresenta limitações com relação à variedade de produtos que o mercado oferece. Como a cidade é pequena e os consumidores são pouco exigentes, alguns artigos não são disponíveis no comercio local. A feira livre é realizada às quartas-feiras e é bastante movimentada, contando com a participação de comerciantes e consumidores de outras cidades. A maioria dos comerciantes vem de Itabaiana, Aquidabã e Aracaju. Grande parte dos produtos comercializados vem dessas cidades e de outros estados como Bahia, São Paulo, Rio Grande do Norte e Pernambuco.